Intestino, Reto, Peritônio e Câncer Colorretal

Sangue nas fezes: o que pode ser, causas e quando procurar o médico

Ver sangue no papel higiênico ou na água do vaso é o tipo de achado que faz a pessoa fechar a porta do banheiro e ficar em silêncio por semanas. A maioria demora meses para contar ao médico. E, na maior parte das vezes, o motivo é benigno: a causa é hemorroida ou fissura anal em cerca de 90% dos casos, segundo o Instituto Vencer o Câncer. O problema está nos 10% restantes, e em saber quem está neles.

O sangue nas fezes pode vir de qualquer ponto do tubo digestivo, do esôfago ao ânus, e a aparência dele é a primeira pista. Vermelho vivo, que goteja ou mancha o papel, vem da região anal ou do reto. Vermelho escuro, misturado às fezes, vem do cólon. Preto, pastoso e com cheiro forte, chamado melena, vem do estômago ou do intestino delgado, onde o sangue foi digerido pelo caminho.

A quantidade também orienta. Gotas no papel são uma coisa; sangue que tinge a água do vaso, coágulos ou episódios que se repetem por dias são outra. E o contexto importa: sangramento em quem toma anticoagulante, em quem tem cirrose ou em quem passou dos 50 anos sem nunca ter feito colonoscopia muda a urgência da avaliação.

Sangue vivo nas fezes: as causas mais comuns

As hemorroidas são veias dilatadas do canal anal, e sangram ao evacuar sem dor, em geral no final da evacuação, com sangue vivo que pinga ou fica no papel. Coceira, inchaço e a saída de um mamilo pelo ânus acompanham os graus mais avançados. Constipação, gravidez e esforço ao evacuar são as causas mais frequentes.

A fissura anal é um pequeno corte na borda do ânus, quase sempre causado por fezes endurecidas. O sangramento é discreto e vem com uma dor aguda, em queimação, durante e depois de evacuar, que pode durar horas. É a causa mais comum de sangue vivo com dor. Em ambos os casos, o sangue não vem misturado às fezes: ele fica por fora.

Sangue escuro e misturado: quando o problema é o cólon

Quando o sangue vem de mais alto, do cólon, ele aparece misturado às fezes, em tom vermelho escuro ou vinho. As causas incluem pólipos, que são crescimentos benignos da mucosa capazes de sangrar quando maiores; a doença diverticular, que provoca sangramentos volumosos e indolores em pessoas mais velhas; as doenças inflamatórias intestinais, como a retocolite ulcerativa, em que o sangue vem com muco e diarreia; as infecções intestinais; e o câncer colorretal. O assunto tem texto próprio: diverticulite.

O câncer colorretal merece atenção porque é frequente e porque sangra pouco e de forma intermitente, o que faz o paciente atribuir tudo à hemorroida. O INCA estima 44 mil novos casos por ano no Brasil, o terceiro tumor mais incidente no país. Sangue nas fezes com mudança do ritmo intestinal, afinamento das fezes, anemia, emagrecimento ou dor abdominal, principalmente depois dos 45 anos, é o conjunto que exige colonoscopia sem adiamento.

Menos frequentes, mas presentes, são o abscesso e a fístula anal, que sangram com pus e dor, e a proctite, a inflamação do reto, que aparece em usuários de certos medicamentos, após radioterapia ou em infecções sexualmente transmissíveis. A angiodisplasia, uma malformação de pequenos vasos da parede do cólon, é causa comum de sangramento em idosos e só é vista na colonoscopia.

Fezes pretas: sangramento do estômago

A melena, fezes pretas como piche, pastosas e de odor muito forte, indica sangramento no estômago ou no duodeno, com o sangue digerido pelo trajeto. Úlcera péptica, gastrite erosiva por anti-inflamatório, varizes de esôfago em quem tem cirrose e tumores gástricos são as causas principais. É um quadro que pode evoluir para tontura, queda de pressão e desmaio, e exige atendimento no mesmo dia, com endoscopia.

Fezes escuras sem esse aspecto pastoso, em quem toma suplemento de ferro, bismuto ou comeu beterraba, morango em quantidade ou alimentos com corante, não são melena. A diferença está na consistência e no cheiro, e o exame de sangue oculto nas fezes tira a dúvida.

Sangue nas fezes: quando procurar o médico

Todo sangramento pelo ânus deve ser avaliado pelo menos uma vez, mesmo o que parece hemorroida, porque hemorroida e pólipo podem coexistir e o diagnóstico feito só pela aparência erra. A urgência muda conforme o quadro. Sangue vivo em pequena quantidade, com dor ao evacuar, em pessoa jovem, pode aguardar a consulta em alguns dias. Sangue misturado às fezes, sangramento repetido ou volumoso, fezes pretas, anemia, emagrecimento e idade acima de 45 anos pedem avaliação rápida.

A investigação começa com a história, o exame proctológico e o toque retal, que identificam hemorroidas e fissuras na hora. Quando a origem não é anal, ou quando há sinais de alarme, a colonoscopia é o exame que examina todo o intestino grosso e retira pólipos no mesmo procedimento. O gastroenterologista é o médico que conduz essa investigação; em Goiânia, o Dr. Thiago Tredicci faz esse acompanhamento em consultório e, sendo cirurgião do aparelho digestivo, resolve no mesmo lugar os casos que precisam de operação. A página de gastroenterologista em Goiânia descreve como é a consulta e os exames.

Crianças e adolescentes com sangue nas fezes seguem lógica própria: fissura por constipação é a causa dominante, seguida de pólipo juvenil e de alergia à proteína do leite nos menores. Nessa faixa, o pediatra ou o gastropediatra conduz a investigação.

Já a gestante sangra com frequência por hemorroida, pela pressão do útero sobre as veias pélvicas, e o tratamento é conservador até o parto.

Colonoscopia: a partir de que idade e com que frequência

As sociedades brasileiras de coloproctologia e de cirurgia oncológica recomendam iniciar o rastreamento do câncer colorretal aos 45 anos, ou antes se houver caso na família, enquanto o protocolo do Ministério da Saúde ainda adota os 50. Com exame normal, a colonoscopia se repete a cada dez anos; com pólipos retirados, o intervalo cai para três a cinco anos, conforme o tipo e o número de lesões.

Quem tem sangue nas fezes não espera a idade de rastreamento: o sintoma, por si, é indicação do exame. O preparo do intestino, com dieta e laxante na véspera, é a parte mais trabalhosa; o exame em si dura 20 a 30 minutos, sob sedação.

Duas coisas que o paciente pode fazer antes da consulta ajudam o médico: fotografar o papel ou o vaso, para registrar a cor, e anotar a frequência, a relação com a evacuação e se há dor. Parece pouco, mas encurta a investigação.

Tratamento: depende da causa

Hemorroidas e fissuras são tratadas com fibra, água, pomadas e banhos de assento, e os casos resistentes com ligadura elástica ou cirurgia. Pólipos são retirados na colonoscopia. A doença inflamatória é tratada com medicamentos específicos. O sangramento diverticular costuma parar sozinho, com internação para observação. O câncer colorretal é tratado com cirurgia, por videolaparoscopia na maioria dos casos, e a chance de cura é alta quando o diagnóstico é feito cedo, como explica a página sobre cirurgia de câncer no intestino em Goiânia.

Um dado deve ficar na memória de quem viu sangue e decidiu esperar: entre o pólipo e o câncer há um intervalo de anos, e a colonoscopia feita nesse intervalo retira a lesão antes que ela se transforme. O sangramento que assusta é, muitas vezes, o aviso que chega a tempo.

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