Estômago, Gastrite e Câncer Gástrico

Queimação no estômago: o que pode ser, causas e como tratar

Entenda as causas da queimação no estômago frequente, quando ela indica um problema de saúde crônico e os tratamentos mais eficazes para o alívio.

Começa como um calor na boca do estômago depois do almoço, vira um ardor que sobe à noite e, em algumas semanas, passa a acordar a pessoa de madrugada. A queimação no estômago é uma das queixas digestivas mais comuns no Brasil, e uma das mais toleradas: a maioria convive com ela por meses à base de antiácido antes de perguntar a um médico o que ela é.

O tamanho do problema é conhecido. Um estudo populacional em 22 metrópoles brasileiras, com quase 14 mil entrevistados, encontrou pirose, a queimação típica do refluxo, em 11,9% da população, e queixa duas ou mais vezes por semana em 7,3%. Em Pelotas, uma pesquisa de base populacional achou pirose no último ano em 48,2% dos adultos. É muita gente para um sintoma que quase sempre tem causa tratável.

Queimação no estômago: o que pode ser

Quatro causas respondem pela maioria dos casos. O refluxo gastroesofágico, quando a válvula entre o esôfago e o estômago não fecha bem e o ácido sobe, causa ardor que se estende do epigástrio ao peito e piora ao deitar. A gastrite, inflamação da mucosa gástrica, causa queimação que piora em jejum e com café, álcool e anti-inflamatórios. A infecção pelo H. pylori está por trás de boa parte das gastrites. E a úlcera péptica causa dor em queimação localizada, muitas vezes noturna, que melhora ao comer.

Menos comuns, mas presentes, são a dispepsia funcional, em que o estômago é hipersensível ao ácido normal; a esofagite eosinofílica, ligada a alergias; a hérnia de hiato, que facilita o refluxo; e o uso de medicamentos como anti-inflamatórios, corticoides, alguns antibióticos e suplementos de ferro.

O que causa queimação no estômago

A mucosa do estômago é feita para conviver com o ácido; o esôfago, não. A queimação aparece quando a proteção da mucosa gástrica falha, como na gastrite e na úlcera, ou quando o ácido chega a um lugar onde não deveria estar, como no refluxo. Os fatores que aumentam o ácido ou enfraquecem a barreira são conhecidos: refeições grandes e gordurosas, álcool, cigarro, café, chocolate, pimenta, frituras, deitar logo depois de comer, sobrepeso, gravidez, estresse e sono ruim.

O peso merece destaque. A gordura abdominal aumenta a pressão sobre o estômago e empurra o conteúdo para cima, e perder 5% a 10% do peso reduz o refluxo de forma mensurável. Já a pimenta e o café não causam gastrite por si, mas irritam uma mucosa que já está inflamada e pioram a queimação em quem tem o problema.

O H. pylori merece um parágrafo próprio. A bactéria infecta boa parte dos brasileiros desde a infância, e em quem a carrega a gastrite tende a persistir enquanto ela não for erradicada, por mais antiácido que se tome. O tratamento é feito com dois antibióticos e um bloqueador de ácido por 14 dias, e a cura é confirmada com teste respiratório semanas depois.

Queimação no estômago à noite e ao deitar

Quando a queimação piora deitado, o diagnóstico mais provável é refluxo. Na posição horizontal, a gravidade deixa de ajudar a manter o ácido no estômago, e o conteúdo sobe pelo esôfago. Elevar a cabeceira da cama em 15 a 20 centímetros, com calços nos pés da cama e não com travesseiros extras, dormir do lado esquerdo e jantar pelo menos três horas antes de deitar são medidas que reduzem os episódios noturnos em boa parte das pessoas.

Tosse seca noturna, rouquidão pela manhã e sensação de bolo na garganta são sintomas de refluxo que muita gente não associa ao estômago. Eles aparecem quando o ácido chega à laringe.

Gravidez merece menção: a progesterona relaxa a válvula e o útero empurra o estômago, e a queimação atinge boa parte das gestantes no último trimestre. Antiácidos são seguros; bloqueadores de ácido só com orientação do obstetra.

Como aliviar a queimação

No episódio isolado, antiácidos de venda livre, com hidróxido de alumínio, magnésio ou carbonato de cálcio, neutralizam o ácido em minutos. Água em goles, ficar em pé ou sentado e afrouxar a cintura ajudam. Chá de camomila e de gengibre têm efeito calmante sobre a mucosa. O que não ajuda: leite, que estimula ácido depois do alívio inicial; bicarbonato, que libera gás; e deitar para passar.

Quando a queimação se repete, entram os bloqueadores de ácido. Os inibidores de bomba de prótons, como omeprazol, pantoprazol e esomeprazol, reduzem a produção de ácido por 24 horas e cicatrizam esofagite, gastrite e úlcera em quatro a oito semanas. Devem ser usados com orientação e por tempo definido, porque o uso contínuo sem necessidade se associa a deficiência de vitamina B12 e magnésio e a maior risco de infecções intestinais.

Quando a queimação no estômago precisa de endoscopia

Queimação mais de duas vezes por semana por mais de um mês, que precisa de antiácido frequente, que não melhora com o bloqueador de ácido ou que começou depois dos 40 anos merece endoscopia digestiva alta. O exame mostra esofagite, gastrite, úlcera e hérnia de hiato, pesquisa o H. pylori e afasta lesões mais sérias. Sinais de alarme que antecipam o exame são dificuldade para engolir, emagrecimento, vômitos, anemia e sangramento. Em Goiânia, o Dr. Thiago Tredicci, cirurgião do aparelho digestivo, faz essa investigação em consultório como gastro e conduz o tratamento clínico; nos casos de refluxo que não respondem a remédio, avalia a cirurgia. A página de gastroenterologista em Goiânia explica como funciona a consulta.

O tratamento segue a causa: erradicação do H. pylori com antibióticos na gastrite e na úlcera; bloqueador de ácido e mudança de hábitos no refluxo; retirada dos medicamentos agressores quando são a causa. A maioria melhora de forma definitiva em semanas.

Cigarro e álcool merecem uma frase própria: os dois relaxam a válvula do esôfago e aumentam o ácido, e parar de fumar é uma das medidas com efeito mais rápido sobre a queimação, muitas vezes em dias.

Em Goiânia, o hábito de jantar tarde e deitar logo em seguida, comum em quem trabalha até a noite, aparece com frequência na história dos pacientes com refluxo noturno. Ajustar o horário do jantar resolve uma parte dos casos sem remédio nenhum.

A endoscopia de controle é repetida quando havia esofagite grave ou esôfago de Barrett, para confirmar a cicatrização e vigiar a lesão. Nos demais casos, o sintoma controlado é o suficiente.

Quem usa bloqueador de ácido há mais de um ano sem nunca ter feito endoscopia está no grupo que mais se beneficia de uma consulta.

Refluxo que não melhora com remédio

Uma parcela dos pacientes com refluxo continua com queimação apesar da medicação, ou não quer depender dela pelo resto da vida, ou tem hérnia de hiato volumosa e esofagite grave. Para esses casos existe a cirurgia de refluxo, a fundoplicatura por videolaparoscopia, que reconstrói a válvula entre o esôfago e o estômago. A indicação exige endoscopia, pHmetria e manometria antes, e o resultado depende dessa avaliação, como detalha a página sobre cirurgia de refluxo em Goiânia.

Queimação frequente não é normal, e não é destino. Duas semanas de sintoma são o limite para procurar o gastro; meses de antiácido são o caminho para a esofagite e, em alguns casos, para o esôfago de Barrett, a alteração que aumenta o risco de câncer de esôfago e que só a endoscopia enxerga.

Dr. Thiago Tredicci

Dr. Thiago Tredicci, Gastroenterologista e Cirurgião do Aparelho Digestivo. Experiente em cirurgia geral. CRM GO 12828, RQE 8168 e 8626.

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