Estômago, Gastrite e Câncer Gástrico

Estômago inchado e doendo: causas, o que fazer e quando investigar

A calça que fechava de manhã aperta no fim da tarde. A barriga fica dura, alta, e uma pressão embaixo das costelas se transforma em dor. O estômago inchado e doendo é uma das queixas mais frequentes em consultórios de gastroenterologia, e uma das mais mal interpretadas, porque quase sempre o que incha não é o estômago, e sim o intestino cheio de gás logo abaixo dele.

Em Goiânia, onde a comida farta é parte da cultura, o quadro costuma ser atribuído ao que se comeu. Em muitos casos a explicação está certa. Mas a distensão que se repete quase todo dia, com dor, tem entre as causas a dispepsia, a intolerância à lactose, a síndrome do intestino irritável, a gastrite e a pedra na vesícula, e o tratamento depende de descobrir qual delas.

Por que o estômago fica inchado e dolorido

Duas coisas distendem o abdômen superior: ar e conteúdo. O ar entra pela boca, ao comer rápido, falar comendo, mascar chiclete e beber com gás, e é produzido no intestino pela fermentação de alimentos que não foram digeridos no intestino delgado. O conteúdo é a refeição que demora a sair do estômago, por volume, gordura ou lentidão do próprio órgão.

A dor aparece quando a parede é esticada além do confortável ou quando o estômago se contrai contra a distensão. Em pessoas com hipersensibilidade visceral, condição comum no intestino irritável e na dispepsia funcional, uma quantidade normal de gás já provoca dor, porque os nervos do intestino interpretam o estímulo com mais intensidade.

Uma pista prática: se a barriga amanhece plana e vai crescendo ao longo do dia, o gás e a alimentação estão no centro. Se ela já acorda distendida, ou cresce de forma contínua por semanas, a investigação precisa incluir líquido no abdômen e outras causas que não têm a ver com a digestão.

Causas mais comuns de estômago inchado

A dispepsia funcional é a primeira da lista: estufamento e dor depois de comer, sem lesão na endoscopia, presente em cerca de 20% da população segundo revisões brasileiras. A dificuldade com a lactose vem em seguida; a enzima que digere o açúcar do leite diminui com a idade em boa parte dos adultos, e o leite não digerido fermenta e produz gás em duas a três horas. A mesma coisa vale para a frutose e para os alimentos fermentáveis, como feijão, brócolis, cebola e trigo, seguem o mesmo mecanismo.

Gastrite e infecção pelo H. pylori causam estufamento com queimação e dor em jejum. A pedra na vesícula dá sensação de peso e distensão depois de gordura, com dor no lado direito. A constipação distende o abdômen inferior e repercute no superior. Doença celíaca, supercrescimento bacteriano no intestino delgado e gastroparesia do diabetes são causas menos comuns, mas frequentes o bastante para entrar na investigação de quem não melhora.

O que fazer para aliviar na hora

Caminhar por dez a quinze minutos é o que mais alivia na hora, porque o movimento ajuda o gás a progredir. Chá de gengibre, de hortelã ou de erva-doce relaxam a musculatura e reduzem a fermentação. Massagear o abdômen em círculos no sentido horário e deitar do lado esquerdo facilitam a saída do ar. Simeticona, de venda livre, quebra as bolhas de gás e é segura.

Antiácido só faz sentido se houver queimação junto. Laxante não é resposta para estufamento sem constipação. E bicarbonato, que muita gente toma, produz gás dentro do estômago e piora a distensão minutos depois de aliviar a azia.

Vale lembrar que o abdômen tem outros moradores. Em mulheres, cistos de ovário, miomas e a endometriose distendem e doem, e a menstruação altera o trânsito intestinal em boa parte delas. A distinção entre causa digestiva e causa ginecológica começa no exame físico e termina no ultrassom.

Como descobrir a causa quando a distensão se repete

O primeiro passo é um diário de duas semanas: o que comeu, em que horário o estômago inchou, se doeu, e como estava o intestino. Esse registro aponta o alimento gatilho com mais precisão do que qualquer teste. A retirada de lactose por duas semanas, com reintrodução, é o teste mais simples e mais informativo para a intolerância. Quando o diário não explica, o gastroenterologista entra com exames: endoscopia com pesquisa de H. pylori, ultrassom de abdômen e, conforme o caso, testes respiratórios para intolerâncias e supercrescimento bacteriano.

Sinais que antecipam a investigação são emagrecimento, anemia, sangue nas fezes, vômitos, dor que acorda à noite e distensão progressiva que não cede. Em quem tem mais de 45 anos, a endoscopia entra cedo. Em Goiânia, o Dr. Thiago Tredicci, cirurgião do aparelho digestivo, faz essa investigação em consultório como gastro, com endoscopia e exames de imagem no mesmo fluxo, e a página de consulta com gastroenterologista em Goiânia explica como o atendimento funciona.

O tratamento segue o diagnóstico. Dispepsia funcional responde a procinéticos e a mudanças no ritmo das refeições. Intolerâncias respondem à retirada do alimento ou à enzima de reposição. Supercrescimento bacteriano é tratado com antibiótico específico por uma a duas semanas. Gastrite com H. pylori exige erradicar a bactéria. E a pedra na vesícula que dá estufamento após gordura tem indicação de retirar a vesícula.

Nenhum desses tratamentos começa sem o diagnóstico, e é por isso que trocar de chá por conta própria costuma render meses de sintoma.

Alimentação para desinchar o estômago

Comer devagar, sentado, sem tela e sem falar de boca cheia reduz o ar engolido de forma imediata. Cinco refeições pequenas pesam menos que duas grandes. Bebidas com gás, chiclete, adoçantes como sorbitol e xilitol, e cerveja estão entre os maiores produtores de gás. Feijão, couve, repolho e brócolis fermentam, mas não devem ser cortados sem motivo: deixar de molho e cozinhar bem reduz o efeito.

Quem tem intolerância à lactose pode usar leite sem lactose ou a enzima lactase antes de consumir derivados. Em quem tem intestino irritável, a dieta com baixo teor de alimentos fermentáveis, conduzida por um período limitado com orientação, reduz o inchaço na maioria dos casos. Fibra ajuda a constipação, mas em excesso e sem água aumenta o gás.

Atividade física regular reduz o tempo de trânsito e o volume de gás retido, e é o hábito com efeito mais duradouro sobre a distensão. Sono curto e estresse alteram a motilidade do intestino, o que explica por que muita gente incha nas semanas mais tensas do trabalho, sem ter mudado nada na comida.

Estômago inchado e doendo: quando é urgência

Distensão súbita com dor intensa, parada de gases e fezes, vômitos repetidos e abdômen duro apontam para obstrução intestinal ou outra causa cirúrgica, e são caso de pronto-socorro. Dor no lado direito, com febre, depois de refeição gordurosa, sugere vesícula inflamada. Dor na boca do estômago que vai para as costas, com vômito, pode ser pancreatite. Fora dessas situações, a distensão que se repete pede consulta, não emergência. O artigo sobre sensação de estômago cheio e enjoo aprofunda a parte da dispepsia e do enjoo que acompanha o quadro.

A distensão abdominal tem causa identificável na grande maioria das pessoas que a investigam. O erro mais comum é conviver com ela por anos, trocando de chá, quando duas semanas de diário e uma consulta resolveriam a pergunta.

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