Estômago, Gastrite e Câncer Gástrico

Úlcera no estômago: sintomas, causas, tratamento e cirurgia

Uma dor que acorda de madrugada, alivia com um copo de leite e volta duas horas depois. Esse relato, repetido em consultórios de Goiânia semana após semana, é o retrato mais fiel da úlcera no estômago. A ferida na mucosa gástrica ou do duodeno atinge cerca de 10% das pessoas em algum momento da vida, e a boa notícia é que a causa é conhecida na maioria dos casos e o tratamento raramente passa de oito semanas.

O que mudou nos últimos trinta anos foi o entendimento da origem. Até os anos 1980, a úlcera era atribuída ao estresse e à comida apimentada, e o tratamento era dieta branda e, com frequência, cirurgia. A descoberta da bactéria Helicobacter pylori virou essa história de cabeça para baixo. Hoje a cirurgia de úlcera ficou restrita às complicações, e o tratamento é feito com comprimidos.

O que é a úlcera no estômago

Uma ferida, não uma irritação. A úlcera péptica é uma lesão que atravessa a camada mais superficial da mucosa e atinge a submucosa, diferente da gastrite, que é uma inflamação difusa e rasa. Quando fica no estômago, chama-se úlcera gástrica; quando fica na primeira parte do intestino, logo após o piloro, úlcera duodenal. A duodenal é mais comum e quase nunca vira câncer. A gástrica exige mais atenção, porque uma pequena parcela das lesões que parecem úlcera são, na verdade, tumores ulcerados.

O estômago produz ácido clorídrico e pepsina para digerir proteínas, e se protege deles com uma camada de muco e bicarbonato renovada continuamente. A úlcera aparece quando essa proteção falha ou quando a agressão aumenta além do que ela suporta. Dois agentes respondem por quase todos os casos.

Causas: H. pylori e anti-inflamatórios

O Helicobacter pylori é uma bactéria que vive no muco do estômago e provoca inflamação crônica. No Brasil, a infecção é adquirida na infância e é muito frequente: estudos publicados no Jornal de Pediatria registram prevalência entre 56,8% e 83,1% em crianças de regiões mais pobres. A maioria dos infectados nunca terá sintomas, mas estima-se que 10% a 20% deles desenvolvam úlcera ao longo da vida.

O segundo agente são os anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida e o próprio ácido acetilsalicílico. Eles reduzem a produção das prostaglandinas que mantêm a barreira de muco, e o ácido passa a agredir a parede. Idosos, pessoas que usam anticoagulante ou corticoide e quem toma anti-inflamatório por dor crônica são os que mais desenvolvem úlcera por esse caminho, muitas vezes sem dor prévia, tendo o sangramento como primeiro sinal.

Cigarro pesa. Fumar dobra o risco e atrasa a cicatrização. O álcool irrita a mucosa e piora a dor. Estresse e alimentação não causam úlcera sozinhos, mas agravam os sintomas de quem já tem. Uma minoria dos casos vem de doenças raras, como a síndrome de Zollinger-Ellison, em que um tumor produz gastrina em excesso.

Sintomas da úlcera no estômago

Dor em jejum. O sintoma clássico é a dor em queimação ou em roedura na boca do estômago, o epigástrio. Na úlcera duodenal, a dor costuma aparecer em jejum e de madrugada, entre duas e três da manhã, e melhora ao comer, porque o alimento tampona o ácido. Na úlcera gástrica, o padrão se inverte com frequência: a dor piora logo depois da refeição, e a pessoa passa a comer menos e a emagrecer.

Náusea, sensação de estufamento, arrotos e azia acompanham o quadro. Perda de peso, vômito repetido e dificuldade para engolir não fazem parte da úlcera simples e obrigam a investigar outra coisa. E existe a úlcera silenciosa, mais comum em idosos e em quem usa anti-inflamatório: nenhuma dor, até que surge o sangramento. O detalhamento está em barriga inchada e dor no estômago.

Como o diagnóstico é feito

A endoscopia digestiva alta é o exame que confirma a úlcera no estômago. Ela mostra a lesão, mede seu tamanho, avalia se há sangramento ativo e permite a biópsia. Toda úlcera gástrica deve ser biopsiada, para afastar câncer, e toda úlcera exige pesquisa de H. pylori, que pode ser feita pela própria biópsia (teste da urease) ou por exames não invasivos, como o teste respiratório com ureia e o antígeno fecal.

A sorologia, o exame de sangue que mede anticorpos, serve para dizer se a pessoa já teve contato com a bactéria, mas não distingue infecção ativa de infecção passada. Por isso não é usada para confirmar a cura. Quem vai fazer o teste respiratório ou o antígeno fecal precisa suspender omeprazol e similares por duas semanas antes, ou o resultado sai falso negativo.

Tratamento: erradicar a bactéria e proteger a mucosa

Quando o H. pylori está presente, o tratamento combina um inibidor de bomba de prótons, como omeprazol ou pantoprazol, com dois antibióticos, em geral amoxicilina e claritromicina, por 14 dias. A erradicação cicatriza a úlcera e reduz a chance de ela voltar de cerca de 60% ao ano para menos de 10%. A cura precisa ser confirmada com teste respiratório ou antígeno fecal, pelo menos quatro semanas depois do fim dos antibióticos.

Quando a causa é o anti-inflamatório, o remédio é suspenso e o inibidor de bomba é mantido por quatro a oito semanas. Se a pessoa não pode ficar sem o anti-inflamatório, por artrite ou por doença cardíaca que exige aspirina, o inibidor de bomba passa a ser usado de forma contínua como proteção. Nas úlceras gástricas, uma segunda endoscopia após oito semanas confirma que a lesão fechou e repete a biópsia.

A investigação e o tratamento são feitos pelo gastroenterologista. Em Goiânia, o Dr. Thiago Tredicci atende em consultório como gastro e é cirurgião do aparelho digestivo, o que resolve os dois cenários no mesmo lugar: a úlcera comum, tratada com remédio, e a complicação rara que precisa de operação. Vale conhecer o que oferece a consulta com gastroenterologista em Goiânia antes de conviver com a dor por meses.

Quando a úlcera no estômago vira cirurgia

Operar deixou de ser rotina. Hoje só três complicações levam ao centro cirúrgico: o sangramento que a endoscopia não consegue controlar com adrenalina, clipe ou coagulação; a perfuração, quando a lesão atravessa toda a parede e o conteúdo gástrico cai na cavidade abdominal, com dor súbita e abdômen duro como tábua; e a estenose, o estreitamento da saída do estômago por cicatrizes repetidas, que provoca vômitos e impede a alimentação.

Uma minoria dos pacientes chega a esse ponto.

Na perfuração, a operação é de urgência e quase sempre por videolaparoscopia: fecha-se o furo e cobre-se com um remendo de omento. Já a estenose que não responde à dilatação endoscópica pode exigir uma gastrectomia parcial. Quando a biópsia da lesão gástrica mostra células malignas, o tratamento passa a ser o de câncer, com ressecção e retirada dos linfonodos, num planejamento feito em conjunto com a oncologia.

Úlcera no estômago pode virar câncer?

A úlcera duodenal não vira câncer. A úlcera gástrica, em si, também não se transforma; o que acontece é que um câncer gástrico pode se apresentar como uma úlcera, e por isso a biópsia é obrigatória. Existe, porém, uma ligação indireta: a infecção prolongada pelo H. pylori causa gastrite atrófica e metaplasia intestinal, alterações que aumentam o risco de câncer de estômago ao longo de décadas. Erradicar a bactéria reduz esse risco, e é um dos motivos para tratar mesmo quem não tem dor.

Sinais de alarme que exigem endoscopia imediata são vômito com sangue, fezes pretas e pastosas, anemia sem causa, emagrecimento, dificuldade para engolir e dor que não melhora com o tratamento. Quem já passou pela investigação e recebeu o diagnóstico de câncer encontra as opções na página sobre cirurgia de câncer no estômago em Goiânia.

Como evitar que a úlcera volte

Confirmar a erradicação do H. pylori é o passo que mais gente pula. Sem o teste de controle, uma em cada cinco pessoas fica com a bactéria e a úlcera reaparece. Anti-inflamatório só com orientação e, quando inevitável, com proteção gástrica. Parar de fumar é a mudança de hábito que mais pesa na cicatrização, mais que qualquer dieta.

E a comida? A regra é simples: nada é proibido de forma absoluta, mas o que provoca dor deve ser evitado enquanto a úlcera cicatriza. Café, álcool, pimenta e refeições muito volumosas são os agressores mais comuns. Leite alivia por minutos e depois estimula mais ácido, e por isso não é remédio. Dor na boca do estômago que persiste por mais de duas semanas é motivo para marcar a endoscopia, e não para trocar de antiácido.

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