Estômago, Gastrite e Câncer Gástrico

Dor epigástrica: o que é, causas e como aliviar

Compreenda o que é a dor epigástrica, aquela sensação de queimação ou desconforto na "boca do estômago", e suas possíveis causas como gastrite e refluxo.

No laudo da endoscopia, na receita ou na ficha do pronto-socorro, a palavra aparece: epigástrica. Para o paciente, ela soa como diagnóstico, mas é só um endereço. Dor epigástrica é a dor localizada no epigástrio, a região da boca do estômago, entre a ponta do osso do peito e o umbigo. Saber o que ela é, e o que não é, evita tanto o pânico quanto a negligência.

Nessa região se projetam o estômago, o duodeno, o pâncreas, a vesícula e a parte esquerda do fígado, além do coração por reflexo. Por isso a mesma queixa pode ter causas tão diferentes quanto uma gastrite leve e um infarto. Em um estudo de base populacional feito em Pelotas, publicado na Revista de Saúde Pública, a dispepsia, cuja queixa central é justamente essa dor, foi relatada por 44,4% dos adultos entrevistados.

Convém dizer isso logo, porque muita gente sai do pronto-socorro com o carimbo de dor epigástrica a esclarecer e acredita ter recebido um diagnóstico, quando recebeu apenas a descrição do lugar onde dói.

Onde fica o epigástrio e o que é a dor epigástrica

O abdômen é dividido pelos médicos em nove regiões, como um tabuleiro. O epigástrio é a casa central da linha de cima, logo abaixo do processo xifoide, o osso pontudo no fim do esterno. Dor epigástrica, portanto, é qualquer dor sentida ali, seja queimação, peso, aperto, pontada ou cólica. O tipo, o horário, a relação com a comida e para onde ela se espalha são o que transforma o endereço em diagnóstico.

Não confundir com a dor retroesternal, atrás do osso do peito, mais típica do refluxo e do coração, nem com a dor no hipocôndrio direito, abaixo das costelas do lado direito, mais típica da vesícula. As três se sobrepõem com frequência, e é comum a dor começar em uma e migrar para a outra.

Causas mais comuns de dor epigástrica

As causas gástricas lideram. A dispepsia funcional, com dor e peso depois de comer sem lesão na endoscopia, é a mais frequente. A gastrite e a infecção pelo H. pylori dão queimação que piora em jejum. A úlcera péptica dói de forma localizada, muitas vezes de madrugada, e melhora ao comer. O refluxo gastroesofágico provoca ardor que sobe do epigástrio em direção à garganta e piora ao deitar. O assunto tem texto próprio: úlcera no estômago.

Fora do estômago, a pedra na vesícula causa dor intensa e contínua depois de refeição gordurosa, que vai para as costas e o ombro direito. A pancreatite dá a dor mais forte de todas, em faixa até as costas, com vômito. O infarto de parede inferior pode se manifestar apenas como dor epigástrica com náusea e suor frio. Hérnia epigástrica, um pequeno abaulamento na linha média acima do umbigo, dói ao esforço e é confundida com problema de estômago. Gases, constipação e dor muscular da parede completam a lista. Quem já tem indicação cirúrgica encontra o passo a passo na página de cirurgia de hérnia umbilical em Goiânia.

Dor epigástrica que piora ou melhora ao comer

A relação com a alimentação é a pista mais útil. Quando a dor melhora ao comer e volta em jejum, sobretudo de madrugada, o suspeito é a úlcera duodenal. Se piora logo depois de comer, com estufamento, o campo é dispepsia, gastrite ou úlcera gástrica. Começando de 30 minutos a 2 horas depois da refeição, com gordura, a vesícula entra na frente. E a que não tem relação nenhuma com a comida e vem com esforço físico ou emoção, com suor, é do coração até prova em contrário.

Anotar por uma semana o horário da dor, o que foi comido antes e o que aliviou costuma dar ao médico mais informação que o próprio exame físico.

Como aliviar a dor na boca do estômago

No episódio leve, de má digestão ou gastrite, quatro medidas resolvem a maioria dos casos: interromper a refeição, ficar sentado ou caminhar devagar, tomar água em goles e usar um antiácido de venda livre, que age em minutos. Chá de gengibre ou de camomila ajudam. Deitar piora, porque favorece o refluxo, e leite alivia por segundos e depois estimula mais ácido.

Bloqueadores de ácido, como omeprazol e pantoprazol, tratam gastrite, refluxo e úlcera, mas levam dias para o efeito pleno e não devem ser usados por meses sem diagnóstico. Anti-inflamatórios para dor de estômago são contraindicados: agridem a mucosa e podem causar sangramento. Dipirona e paracetamol não tratam a causa, mas não fazem mal ao estômago.

Quando a dor epigástrica é urgência

Dor muito forte e súbita, abdômen duro ao toque, vômito com sangue ou com aspecto de borra de café, fezes pretas, febre alta, pele ou olhos amarelados e dor que se espalha para o peito, o braço ou a mandíbula com suor frio são os sinais que exigem pronto-socorro na hora. Nessas situações, a lista de causas inclui úlcera perfurada, pancreatite, colecistite, obstrução da via biliar e infarto, e o tempo até o diagnóstico define o resultado.

Fora da urgência, dor que dura mais de duas semanas, que se repete toda semana ou que vem com emagrecimento, dificuldade para engolir, anemia ou vômitos frequentes precisa de investigação com endoscopia e ultrassom.

Como o médico investiga

A consulta começa pela história e pelo exame do abdômen, que sozinhos apontam a hipótese na maioria dos casos. A endoscopia digestiva alta avalia esôfago, estômago e duodeno e pesquisa o H. pylori. O ultrassom de abdômen mostra vesícula, fígado e pâncreas. Exames de sangue medem enzimas do pâncreas e do fígado. O eletrocardiograma é feito sempre que houver dúvida sobre o coração. Em Goiânia, o Dr. Thiago Tredicci, cirurgião do aparelho digestivo, faz essa investigação em consultório como gastroenterologista, com endoscopia e exames de imagem no mesmo fluxo e, quando a causa é cirúrgica, como a vesícula, resolve sem trocar de médico. A página de gastroenterologista em Goiânia descreve como é a consulta.

A endoscopia costuma ser o primeiro exame, porque responde à maior parte das perguntas de uma vez. Ela é feita sob sedação, dura cerca de dez minutos e tem como preparo apenas o jejum de oito horas. O ultrassom entra quando a dor tem relação com gordura ou irradia para o lado direito.

Em pacientes jovens, sem sinais de alarme e com sintomas leves, é aceitável testar o tratamento antes do exame: pesquisar o H. pylori por teste respiratório, tratar se positivo, e usar um bloqueador de ácido por quatro semanas. Se a dor persiste, a endoscopia deixa de ser opcional.

Uma armadilha frequente é o paciente que responde ao omeprazol e conclui que está curado. O remédio alivia gastrite, úlcera e refluxo igualmente, e alivia até uma parcela das dores de vesícula por coincidência. Alívio com bloqueador de ácido não é diagnóstico.

O tratamento segue o diagnóstico: erradicação do H. pylori e bloqueador de ácido na gastrite e na úlcera; ajuste de hábitos e medicação no refluxo; procinéticos e dieta na dispepsia funcional; retirada da vesícula na cólica biliar. Quem quer aprofundar a diferença entre as causas que doem no mesmo lugar encontra o detalhamento no artigo sobre dor na boca do estômago e o que ela pode ser.

É sintoma, não doença. Tratá-la com antiácido por meses sem descobrir a causa é o erro mais comum, e o mais fácil de evitar: duas semanas de sintoma são o limite para marcar a consulta.

Dr. Thiago Tredicci

Dr. Thiago Tredicci, Gastroenterologista e Cirurgião do Aparelho Digestivo. Experiente em cirurgia geral. CRM GO 12828, RQE 8168 e 8626.

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